Surpresa!!!

Para amigo João Celorico, a Aldeia da minha vida oferece este blogue, para dar voz às suas palavras simples e singelas, e colocar lá no alto vivências mágicas vividas, com a sua terra no coração.

Se é por falta de tempo...ou de conhecimentos para mexer no blogue, não há mal nenhum nisso! Envie as suas criações poéticas e nós teremos todo o gosto em publicar aqui!

A casa já tem amigos: 6 seguidores, incluindo eu! Entre na sua casa e veja os comentários que alguns de nós deixámos!

Atenciosamente, Susana

Um blogue cheio de poesia, com cheirinho a saudades de uma terrinha raiana, a Salvaterra do Extremo...e não só!

Blogagem colectiva

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Na minha terra come-se bem!

Blogagem Colectiva

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Moscatel, feito pelo pai do Zé em 1944

Anónimo disse...
Dizem que dos atrasados não reza a história, mas estão falando dos mentais. Mesmo assim há para aí cada um que temos de aturar...
Pois o seu texto é atrasado sim, mas no tempo. "Portantos", cá vai o meu reles comentário!


O vinho tem triste sina!
Zé do Cão, meu “bom” menino,
o Zé, viu Dona Cesaltina
mas, esta fazendo o pino!

Desde o Algarve ao Minho
todo o vinho é como é!
Agora já ia um copinho
do vinho do pai do Zé!

Precisa um segredo guardar?
Venha cá que o Zé não mente.
Podemos, todos, nele confiar.
Fica a sabê-lo toda a gente!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Gastronomia e Vinhos: enogastronomia

Anónimo disse...
O meu comentário não sei se vai avaliar ou ser avaliado! Tenho um medo da escola que me pelo!


Este texto, não vou comentar.
O que está assim, fica assim.
É que tenho medo de chumbar,
e depois, que será de mim?

Eu, pegar no dicionário?
É estranha ideia, “meu”.
Tenho no meu vocabulário,
o esternocleidomastoideu!

A Gastronomia e o vinho,
comigo, não há que enganar.
Só que eu nunca adivinho,
que irá ser o meu jantar!

O amigo, eh lá, é docente!
Eu, escola, já não concebo.
Faz-me logo ficar doente.
Já, quase nem vinho bebo!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Eu e os vinhos

Anónimo disse...
Para o seu texto (com cábula, mas vê-se que estudou) vai a minha avaliação. Continue e não tenha medo de dizer a verdade. Eu também não sei nada e olhe para isto, pareço um "expert"!

Até que enfim, apareceu
quem não percebe de vinhos.
Está mesmo, tal como eu.
Agora, não estou sozinho!

Mas fala de vinho, bastante,
e, sem que ninguém o note,
foi direitinha à estante,
a um livro da Don Quixote!

“Vinhos de Portugal”,
só pode falar de vinho!
Ao acabar, não fará mal,
beber, só um copinho!

João Celorico
23 de Setembro de 2009 21:40

Vinho de Mêda, ou sumo de uva?

Anónimo disse...
Para alguém que trocou a heroína pela filha do Heroíno. E, fez bem! É d'homem!


Sumo de uva! Também faço
e fino, tudo do melhor
e sem mosto nem engaço.
Basta-me um espremedor!

Se quiser coisa melhor,
coisa mais afinada,
basta-me um passador
e varinha electrificada.

Fica tão bom e docinho
que não faz nada mal.
É saúde, não é vinho,
e é só sumo, afinal!

Também não lhe minto.
Nunca deixo o copo a meio
seja branco ou seja tinto
é preciso é copo cheio!

Para mostrar as habilidades
e nos vinhos ser o primeiro,
vou às Novas Oportunidades!
Quem manda, é o “inginheiro”!

Na casa do senhor Heroíno
este senhor nunca falhava
é que uma falha, o menino,
já por lá catrapiscava!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Bebida indigesta

Anónimo disse...
Olha p'ra ela! Diz que não tem votos! Prove do mesmo que eu já provei. Mas, eu queixei-me à Comissão Nacional de Eleições e envergonhei o pessoal de tal maneira que agora já me andam a seguir. Desconheço as intenções! Faça o mesmo, amiga e tome lá um votozito!


Será que terão pensado
que aquele famoso elixir
teria dentro misturado,
pozinhos de fazer rir?

Uma história como há poucas
que até mete alambique
merece que às cabecitas loucas
umas quadras lhes dedique.

Agora está diferente
pelo que se vê e se sente
já não bebe aguardente,
dá dentadinhas na gente!

Sim, está diferente,
está mais endiabrada,
dá dentadinhas na gente
mas, já não doem nada!

Era mais do que esperado!
Meter-se com o alambique
só daria, como resultado,
o”barquinho” ir a pique!



Esta estória é animada!
Não digo que já ganhou!
O meu voto não vale nada.
Mesmo assim, eu lho dou!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Barca Velha

Anónimo disse...
Também o meu comentário foi objecto de grande e aprofundado estudo e tem certificado de origem. À nossa!!!

Texto com muita ciência
mas que dá que pensar.
É preciso ter paciência
e, bebê-lo bem devagar!

É uma grande explicação
de vinhos, dos melhores.
Importante dissertação,
digna dalguns doutores.

Barca Velha, fosse Nova,
o rótulo pouco interessa.
Todos terão a sua prova,
nada é feito à pressa.

Garrafas da antiguidade
e, decerto muito caras,
servem como curiosidade
apenas por serem raras.

Cumpre-me esclarecer,
e esta ideia é minha,
bom vinho, para beber,
é este da Ferreirinha!

Também esta, que me saiu,
lá vai, à minha maneira.
Foi mesmo você que pediu
um cálice de Porto Ferreira?

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Vinho do Caxias, Brasil

Anónimo disse...
Se em Caxias, cá em Portugal, se produzisse vinho, talvez muitos não tivessem lá entrado e outros não quisessem de lá sair!
A língua portuguesa e os nomes, têm destas coisa. Mas, reverentemente, sr. Duque receba o meu comentário.


É um vinho, sem bravata,
e também sem um truque,
é um vinho aristocrata,
é fidalgo e já é Duque!

É um vinho, entre mil,
que aqui não fica mal.
É um vinho do Brasil,
podia ser de Portugal!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Dou-me bem com ele

Anónimo disse...
Este comentário é de almanaque e quase anti-alcoólico!

Diz com ele dar-se bem.
E porque não havia de dar?
Uma pinguinha cai bem,
serve para a alma animar.

Mas, agora, vejam bem
o que pode acontecer.
Dizer que nada tem
mas, gostava de ter!

Estão a ver, amiguinhos!
O vinho não faz nada mal!
Basta falar dos vinhos,
só nas páginas do jornal!
João Celorico
23 de Setembro de 2009

O néctar do Alentejo que me caiu no goto...

Anónimo disse...
Este, é fácil de adivinhar! É um comentário meu!

Este amigo é um luxo,
como podem constatar,
até parece que é bruxo,
quase só basta cheirar!

É bom o Porta da Ravessa
mas, amigo, tenha cuidado!
Se beber muito e depressa
vai entrar na porta ao lado!

Mas, foi num casamento
e a festa era animada.
Será que, até ao momento,
não tinha bebido nada?

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Memórias e preocupações da vinha e do vinho

Anónimo disse...
Para a história do vinho, aqui vai:

Memórias do vinho,
preocupações da vinha.
Em ambos eu alinho.
Quem é que não alinha?

Sem ler essas memórias
tudo nós esqueceríamos.
Havia vinho sem histórias
e da vinha nada sabíamos.

Há para aí muita gente,
do vinho sem preocupação.
Aqui tudo é diferente.
Aqui até há a APARDÃO!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

As vindimas no tempo certo

Anónimo disse...
Um comentário "terra a terra" para quem trabalha e sofre com o que a terra lhe dá!

“A Terra o deu”, a muito custo,
mas é dele que os homens comem.
Depois de trabalho e muito susto
quem se regala é o “outro Homem”!

Não, aquele que o trabalhou
e lhe deu o suor do rosto.
Sim, aquele que o comprou
e, dele, só sabe o gosto!

Aquele que o trabalhou
com desvelo e carinho,
só parou, e descansou,
se o chamou “seu vinho”!

E por aqui se poderá ver
como é outra a história.
Só quando o “seu” beber,
alcança a “sua” vitória!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Aprenda a escolher o vinho ideal para acompanhar uma refeição com os seus amigos

Anónimo disse...
Espero que, tanto o branco como o tinto, não estraguem o meu comentário!

Será branco, será tinto?
Preciso um grande estudo.
É verdade! Eu não minto,
só sei é que troco tudo!

E a outra, a aguardente?
Quando é que a gente a bebe?
Será com uma comida quente
ou com uma comidinha leve?

E que tal, o peixe assado,
saído do forno, bem quente?
Esse é preciso o mestrado,
tirado na Independente!

E se for com vinho afamado,
bebido até ao último pingo?
Tenho de tirar o mestrado,
de preferência ao domingo!

Os brancos ideais para isto,
tintos melhores para aquilo.
Eu, não quero saber! Desisto!
Para mim, é igual ao quilo!

O vinho em taças maiores
ou nas pequenas bebido,
é uma questão de valores.
É conversa sem sentido!

E para tudo esclarecer
e terminar este enleio,
meus senhores, vamos beber.
Para mim, o copo é cheio!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Memórias ligadas à vinha

Anónimo disse...
Espero que este comentário, mas sem grande convicção, tal como o vinho, seja de excelente qualidade!

Ora até que enfim,
uma opinião entre mil,
que hoje, isso sim,
há exploração infantil!

Cultiva-se a brincadeira
e a irresponsabilidade!
Quer se queira ou não queira
é esta a grande verdade!

Deixemos falsos pudores
e vamos todos pensar bem,
o trabalho, meus senhores,
nunca fez mal a ninguém!

Para um mero hortelão
fazer tamanha colheita,
foi grande a animação
e, foi muito bem feita!

E quando digo tudo isto,
eu estou bem à vontade.
Por isso, torno e insisto.
Tudo, excelente qualidade!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

O Barão de Nelas e a sua Quinta

Anónimo disse...
Para tão ínclito vinho, aqui vai o meu modesto contributo.

Jaén, Alfrocheiro e Touriga
e, além destes, a Tinta Roriz.
Dumas, mal não há quem diga
doutra também mal não se diz.

O vinho cresce lentamente
mas, vejam, o produto final
alegra o coração da gente
e ganha um prémio mundial.

Mas que grande confusão,
esta é que é de estouro
dão, a um vinho do DÃO,
pasmem, medalha “D’OURO”!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

As minhas vindimas na minha garotice

Anónimo disse...
Receba o meu curto comentário:

Vales montes e Quintas
tudo nas vindimas é uva.
De cor, brancas ou tintas
pedem mais sol que chuva.

Pode o rótulo ser artístico
mas para o vinho ser melhor
além do sabor, característico,
do corpo do povo leva o suor!

Por fim, quem isto assina,
ao trabalho dando valor
dá pelo nome de Carina
e eu não diria melhor!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

A brincadeira que acabou mal...

Anónimo disse...
Cá vai o meu sedativo para a picada do lacrau!

A Joana conta a história
de uma hora de aflição
pois lhe ficou na memória
a imagem do escorpião!

Mordeu na prima o escorpião
eu faço ideia o que lhe doía
e, se foi grande a agitação
maior terá sido a gritaria!

Foi no hospital que acabou
esta tão difícil provação,
depois, depois, tudo passou.
Será que só ficou, o sermão?

E quantas saudades, decerto,
ainda terão daquelas lides
dormirão, disso estou certo,
mas não debaixo das vides!

Porque não fugiu o lacrau?
Com tão grande gritaria,
coitadinho do bicho mau!
Eu, garanto que fugiria!

Iam trabalhar e contentes!
Não tinham outro remédio.
Sem vindima, aquelas gentes,
morriam de fome, ou de tédio!

Nisto de vinho, para beber,
há sempre causa e efeito.
Aqui, ficámos sem saber
se o vinho era de jeito!

E o texto, podem crer,
acaba muito depressa.
A Joana não quer saber.
Só o bicho lhe interessa!

João Celorico
23 de Setembro de 2009

Intróito aos comentários

Dizia eu, no dia 23 de Setembro

Anónimo disse...
Desculpem, qualquer coisinha! Fui pôr o meu intróito um bocadinho mais acima! Por isso aqui vai, novamente. Eu bem digo que isto não está bom. É muito movimento, para a minha cabeça!!!


Ó da casa! Posso comentar, posso?
As minhas desculpas, principalmente aos meus "seguidores". Se aqui não tenho estado é porque não tenho podido. Eu avisei-os! Ponto final!

Para se entreterem, aqui lhes envio o meu intróito aos comentários que a todos farei. Aguardem só mais um pouco. Está bem?

Já a Salazar se ouvia dizer
e, disse-o até muitas vezes.
É o vinho, quem dá de comer
a um milhão de portugueses!

Se em terra de invisuais
quem tem um só olho é rei,
aqui estou eu, sem mais,
comentando o que não sei!

As ideias são minhas,
vai tudo no mesmo saco,
os vinhos e as vinhas
e os amantes de Baco!

Nisto de vinho eu acho
é que, quem dele beber,
pode ficar “borracho”
ou, apenas entontecer!

Por aquilo que aqui topo
meus amigos, podem crer,
é que nem é preciso copo
o que é preciso, é beber!

De uvas crestadas ao sol
fala esta blogagem animada.
Para alguns, é tudo “briol”,
para outros, aquela “pomada”!

Até nas cantigas, o vinho,
se sobrepõe à linda vinha.
Os homens pedem um copinho
mas, que o traga a Clarinha!

E se, muito amavelmente,
os comentários me pedem,
espero que toda a gente
com eles se embebedem!

Depois de comentar
e beber “à maneira”,
vou-me já retirar,
e curtir a bebedeira!

E, após bem visto, tudo,
vamos a ver que o prémio,
como partida de Entrudo
vai parar a um abstémio!

Por vezes nos meus versos
a musa nem sequer poisa.
Por isso eles vão dispersos,
e não digo coisa com coisa!

Divirtam-se, que eu vou continuar o trabalho!

Bem hajam, por ainda não terem corrido comigo

João Celorico

Blogagem colectiva de Setembro no blogue "Aldeia da minha vida"

No mês de Setembro decorreu uma Blogagem Colectiva no blogue "Aldeia da Minha Vida". A exemplo das anteriores, houve grande participação se bem que esta última, dedicada a "Vinhos e Vindimas", fosse mais para especialistas do tinto, do branco e dos néctares especiais do que para o "homo vulgaris". Mesmo assim bebeu-se bem, talvez até demais, e só agora é que chegou a comidinha (os pitéus). Neste mês de Outubro terá lugar a Blogagem Colectiva com o tema "Na minha terra come-se bem".
Espera-se que a participação, sã concorrência, seja animada!
Como dizia, a Blogagem que agora terminou teve os seguintes vencedores:
Melhor post: Fernanda Ferreira, com o texto "Barca Velha"
Melhor comentário:Willoughby, que concorreu com o magnífico texto "As vindimas no tempo certo"
Melhor bloguista: Vejam só, este vosso amigo, feito bloguista à força!

Aos outros vencedores (quem é que não terá ganho?) envio as minhas felicitações e à organização, continuação de boas blogagens. (Já devo ter dito isto mais vezes).
Um aviso, que eu também tomo, o vinho é para beber, mas com cuidado!!!


Agora vou apresentar os comentários que a todos os trabalhos (sem excepção) eu resolvi fazer, não sem que antes tenha endereçado à organização aquilo a que me propunha e quais os meus atributos. Aí vão eles! Se quiserem ler e comentar, façam favor!
Bem Hajam

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Na minha terra come-se...















Preparando o almoço do Bodo da Festa de Nossa Senhora da Consolação
(Com a devida vénia, foto retirada de http://seraiana.blogs.sapo.pt/)


Claro que podia aqui falar de “Laburdo”, “Miolos com rins”, “Ensopado de borrego”, “Jantar da Matança”, “Chanfana” e outras iguarias. Deixo isso para os gastrónomos. Eu como, para viver, não vivo para comer! Mas, não tenho nada contra quem é da opinião contrária!

Na minha terra come-se bem? Eu diria que nem bem, nem mal! Come-se!
Hoje em dia, época de globalização, come-se o que se come em quase todo o lado, é preciso é ter dinheiro.
O que posso dizer é, como se comia antigamente. Comia-se o que a terra dava, que era bem pouco. Alimentação à base de pão, principalmente de trigo mas, também algum de centeio. O pão entrava (entra) em tudo! Eram as “migas” de alho, de batata, de pão tostado ou o “gaspacho”. Os legumes, grão e feijão; poucos vegetais, couves e feijão “carrapato”; batatas e algum arroz, vinham a seguir. Carne, além dumas “pitas” destinadas principalmente à produção de ovos, só de ovino, caprino e porco, que o gado bovino, pouco, era só para trabalhar ou para dar leitinho. Umas cabrinhas, umas ovelhas e uns “bácoros” quase todos tinham.
Peixe, era um quase nada. O Erges dava uns peixitos, bogas, bordalos e pouco mais, pequenos no tamanho mas fartos em finas espinhas. Sardinhas, apesar de já deverem algo à frescura, conservadas em sal, eram um pitéu e, dizem que uma dava para três.
Então, como dizia, ele era pão com tudo, com queijo (que bom), com azeitonas (retalhadas e postas a adoçar na “talha”), com chouriço ou toucinho (as farinheiras e morcelas, eram cozinhadas).
Os pratos cozinhados, eram à base de grão, feijão, batatas e cabrito, borrego ou porco.
Gulodices, para os mais “lambinos”, só em dias de festa. Nos outros dias, uma fatia de pão, molhada e barrada com açúcar, ou quente e pingada de azeite (do puro) que substituía a manteiga e com vantagem pois era gordura vegetal! Também as crianças, ainda de peito, tinham as suas chupetas feitas dum trapinho enrolado que era molhado e embebido em açúcar, para que sossegassem as suas rabugices.
Nos dias de festa, o “arroz doce”, artisticamente polvilhado com canela, fazendo cruzes ou desenhando as iniciais do artista e a “aletria”, faziam as honras da casa.
Outras pequenas grandes alegrias da pequenada, eram o “coalho” e a espuma do leite de cabra ou ovelha, acabado de ordenhar, sujando só os “beiços” e fazendo-lhes uns “bigodes”!
E também o toucinho, na masseira, onde eu, mal me tendo em pé, metia as mãos, comia e inocentemente dizia ao meu irmão, mais velho, para que comesse porque eram batatas.
Fruta, era só a da época e da região. Por isso, resumia-se quase à melancia, ao melão, aos figos, talvez laranjas e algumas uvas (“gatchos”), pêssegos (“malacatões”) e “marguedas” (romãs). Depois, havia alguns extras, tais como as “bolêtas” e os “figos tchumbos”, as primeiras, cruas ou assadas e os figos que, apanhados com uma tenaz e metidos num balde com água, para amolecer os picos, lá se cortavam e se lhes retirava a pele. Estes eram docinhos mas com muitas grainhas e era normal que provocassem grandes dores de barriga e prisão de ventre a quem deles abusava.
E era com esta frugal alimentação que viviam as mulheres e homens que trabalhavam de sol a sol, abençoando a terra e causando a admiração de quem, hoje, tem mesa farta e variada!
Bom apetite!



( É este o texto que eu apresento na Blogagem Colectiva do blogue "Aldeia da Minha Vida". Se quiserem ler mais textos interessantes é favor dirigirem-se a aldeiadaminhavida.blogspot.com e deliciarem-se com os pitéus. O vinho já está na mesa. Chegou o mês passado!)

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Beirão de raiz mas quase só isso. Interessado em tudo quanto tenha interesse. Bloguista acidental. Amigo do seu amigo.